Era no ano de 2500, era onde quase tudo era possível, viajar havia se tornado uma coisa fácil, o tele-transporte facilitava a vida de muitos, seu único problema era que a sua utilização podia causar danos ao cérebro e a outros órgãos importantes do corpo humano. Thiago era um importante médico e tinha um amigo muito conhecido: Matheus, importante cientista que tentava novas tecnologias e juntamente com o médico, tentavam a tarefa mais complicada: acabar com os danos dos tele - transportadores.
Em janeiro, começo de ano, muitos haviam feito promessas para mudar, fazer algo, começar um regime, tentar algo novo. No entanto Antonio fazia outro tipo de promessa: tentaria salvar o mundo do que ele mesmo havia feito, pelo menos antecipado. Há exatamente dois anos (começo de 2498) ele havia feito uma das maiores descobertas não reveladas, conseguira captar ondas de som vindos de outras galáxias com um novo aparelho. Depois disso ele havia descoberto outras formas de vida e descoberto o que parecia ser um sonho: haviam seres extraterrestres na Terra.
Ele não só havia feito à descoberta como também encontrou alguns e conversou com eles. No entanto ele descobriu o que não queria: a os seres da Terra estavam com seus dias contados e agora que eles sabiam que havia um ser humano por dentro de tudo, tudo seria mais rápido. Os seres extraterrestres, mais conhecidos como ‘Drives’ pela galáxia, estavam planejando acabar com os seres humanos para que pudessem tomar conta da Terra.
Além de gananciosos, se achavam muito superiores. Achavam que podiam cuidar da Terra melhor que qualquer um, sem contar que ela seria o lugar ideal, com clima perfeito para a maioria dos ‘Drives’. A idéia inicial seria contaminar as redes de tele-transporte fazendo com que surgisse uma nova doença, o que eles já haviam feito. Inclusive: eles tinham a cura, era a mesma doença que havia afetado seu povo há milênios atrás.
Antonio caminhou até a porta de sua casa, para quem iria contar tudo o que sabia? Teria que ser rápido, afinal ele não sabia qual seria o próximo passo dos ‘Drives’ agora que ele sabia de tudo, eles com certeza já tinham outra maneira de acabar com os seres humanos mais rápido. Sem contar que ele estava com uma doença do coração, não saberia quanto mais tempo teria, o problema era dos clássicos e pedia um coração novo, o que ele não queria.
Chegando à avenida principal da cidade ele sentiu uma pontada no coração, ele sabia o que aconteceria em seguida, sabia que poderia morrer se não fosse socorrido e mesmo sendo socorrido poderia morrer se o ataque fosse muito forte. Ele agarrou na primeira coisa que viu: um jovem:
_Por favor, me a... Ajude...
O jovem levou-o rapidamente para o hospital em seu carro HY, um novo carro que funcionava sem rodas, flutuando pelo asfalto e por isso sendo mais rápido. Chegaram ao hospital em menos de cinco minutos, Antonio foi atendido rapidamente pelo doutor Thiago. Por mais que o médico aplicasse massagem ou o remédio entrasse na veia nada parecia fazer efeito, então antes dos últimos suspiros Antonio segurou o braço do médico e falou com a voz mais forme que pode:
_Você precisa saber de algo... algo importante...
_Calma, fale devagar e não se esforce tanto.
Tirando um cartão eletrônico do bolso Antonio disse:
_Acredite em tudo que está aqui, por mais absurdo que pareça... Tente nos salvar... eu... eu... não posso mais fazer nada...
Com um ultimo suspiro Antonio faleceu. Thiago analisou o cartão, era um pequeno e avançado chip para guardar informações, ali cabia muito mais informação do que qualquer um precisava. Guardou o cartão no bolso. Olhou atentamente para o morto à sua frente, o que de tão importante poderia haver naquele cartão? Ele como médico já havia visto de tudo um pouco. Um garoto entrou na sala.
_Oi tio.
_Oi Pedro, foi você que o socorreu?
_Foi sim, coitado, ele estava passando muito mal, trouxe-o mais rápido que eu pude.
_É... mas acho que nem isso foi o suficiente, pela fixa dele a doença era séria, sem contar que ele já deveria ter um coração novo a bastante tempo, mas ele não queria um coração de plástico.
_O senhor vai no jantar hoje à noite?
_Vou sim, te encontro lá. Saio daqui e vou direto.
*
O jantar estava muito bom, alguns médicos, cientistas e pessoas famosas, era um jantar pessoal para promover um novo tipo de aparelho tecnológico. O mais avançado relógio, agora com cerca de quinhentas funções, entre localizador, tele-tranportador máquina fotográfica e televisão. O projetor dele era de 3D, com uma imagem perfeita e quase real. Também lia chips e podia ser usado como celular.
A promotora do evento era Amanda, amiga de Matheus, não muito intima, mas boa amiga. Eles já haviam trabalhado em pesquisas juntos e agora conversavam animadamente:
_Mas me diga, Matheus, já conseguiu algo com os tele-transportadores?
_Ah... Sabe de uma coisa, Amanda? Eu acho que isso não vai muito para frente não. Pelo que me parece é um tipo novo de vírus, mas ainda não temos tecnologia o suficiente para poder entendê-lo. Seu comportamento é bastante incomum de tudo que já vimos antes.
_Nós já superamos outras doenças, você sabe disso, coisas que pareciam bem piores.
_Eu sei... Mas em falar em se superar, quando ficam prontas as lentes?
_Ah, você é um danadinho em? Estão aqui hoje comigo, elas tiram foto com apenas um comando do cérebro, pratico não?
_Você é genial mesmo! Quando isso vai ser comercializado?
_Ainda não tenho data marcada, estão em teste, por isso qualquer problema me diga. E uma coisa: elas também filmam. Aqui estão –ela disse tirando uma pequena caixa da bolsa.- as informações vão para um chip automaticamente, para vê-las basta colocar ou no relógio ou em qualquer outra máquina.
_Realmente, você sempre se supera.
_Olá pessoal, desculpa a intromissão na conversa vocês dois, mas vai ser feito um pronunciamento do Ministro da Ciência agora e ele quer a presença de Amanda lá na frente.
_Ah, sim. Se cuide Matheus!
_Até mais Amanda.
Enquanto o Ministro fazia o pronunciamento, Matheus se juntou a Thiago e ao seu sobrinho Pedro. Já era mais de quatro horas da manhã quando tudo terminou, os três foram os últimos a sair, ou pelo menos seriam se a cientista não os tivesse chamado a ficar para uma conversa importante.
_Aconteceu algo?-Pedro perguntou receoso.
_Nada que não possamos resolver. Vou ser franca com vocês, eu estou ficando apavorada depois da notícia que recebi hoje de manhã e achei que vocês três seriam as pessoas ideais para me ajudarem nisso tudo.
_Pode começar então. -encorajou Tiago.
_Um cientista hoje disse que Antonio Braz morreu, inclusive foi com o senhor doutor Thiago, parece que ele tinha uma doença séria e tudo mais, mas isso não importa, ele fez muitas descobertas durante toda sua vida, hoje algumas pessoas estiveram na casa dele e encontraram estranhos aparelhos com milhares de anotações feitas à mão. Pelo jeito nenhuma tem significado para ninguém, no que quer que ele estivesse trabalhando foi perdido.
_Eu realmente não sabia que ele era cientista, mas pela ficha dele ele não demoraria muito a ir para o outro lado não. -Thiago disse.
_Eu sei, mas precisamos descobrir no que ele estava trabalhando, tem a ver com os tele – transportadores e a doença. Mas sinceramente não sei o que exatamente é.
_Ele me entregou um chip hoje antes de morrer, podemos vê-lo e às vezes tenha algo importante.
O médico tirou o pequeno chip do bolso e mostrou aos outros. Amanda pegou o chip e colocou-o em um aparelho, uma grande tela apareceu e um vídeo começou a ser rodado.
“Olá, meu nome é Antonio e se por um acaso esse chip vier a ser visto é porque eu não tive a chance de evitar tudo. Mas mesmo assim quero dar a chance a alguém. Há algum tempo eu comecei a fazer pesquisas avançadas no ramo de ondas sonoras, conseguindo fazer várias descobertas que estão neste chip, mas a mais importante de todas é a que eu descobri há pouco tempo: existe vida extraterrestre, não um só povo e não em um só planeta. Alguns vivem aqui estudando nosso jeito, fazendo análise de solo e dos impactos que nós (seres humanos) causamos a Terra. No entanto uma espécie em especial: os ‘Drivers’, estão querendo nos destruir para tomar posse da Terra. Foram eles que contaminaram nossa rede de tele-transporte e logo irão arrumar outro modo mais rápido para nos matar. Procurem nas minhas anotações sobre eles e os contatos que tenho. Precisamos fazê-los mudar de idéia, ou uma guerra começará e eu sei que nós não seremos vencedores...”.
À medida que o filme se passava eles ficavam mais perplexos. Pedaços de conversas com alienígenas, tudo parecia pura montagem, ficaram confusos.
_O que faremos? Isso parece loucura ou simples imaginação de um lunático! - Matheus não sabia o que pensar, havia se levantado e começado a andar de um lado à outro. Parecia pensativo.
_Acalme-se, isso realmente é loucura, mas ele não pode ter feito isso à toa, olha esses arquivos, aqui tem coisas que realmente são assustadoras, mas também há algumas com certa lógica - Amanda estava fascinada com o trabalho que o cientista havia feito afinal tudo era como um encanto para ela, ela olhava alguns arquivos com um grande interesse, lia coisas que pareciam realmente de maluco lunático, no entanto ela tinha que admitir que muita coisa ali fizesse sentido.
_Amanda, vou ser realmente sincero com você, eu como médico e pesquizador admito que o que está escrito ai sobre a doença dos tele transportadores me parece não coisa de maluco, mas de alguém que entende muito sobre a doença. Olha por exemplo a descrição dos sintomas, melhor do que a que fizemos, também há esse arquivo que está aberto falando sobre possíveis curas, o que esta descrito ai faz muito sentido, apesar de não dar para afirmar se é realmente verdade, então, o que pensar?
_Tio, se você está falando, eu não duvido, vamos observar com mais calma esses arquivos? Analisa-los. E, apesar de loucura, procurar saber se é verídico.
Os jovens então começaram o trabalho, fora uma semana desgastante de idas e vindas, iam atrás de pessoas, analisavam documentos, anotações, símbolos, dando o resultado que eles nem imaginavam tanto que poderia dar: era verídico absolutamente tudo. Sentados agora em uma mesa redonda, na sala da casa de Matheus, olhavam um para o outro tentando relaxar e imaginar que aquela semana havia sido inventada ou tirada de um livro de ficção, por mais provas que tivessem tudo ainda era um sonho.
_Alguma idéia? – Pedro tenta quebrar o silencio que reinava ali.
Thiago deita na cadeira de forma incomoda, começa a bater os dedos na mesa, olha para cada um ali presente, levanta-se e começa a admirar um quadro sobre a segunda guerra mundial, uma imagem antiga, gasta, em tons fortes.
_No que está pensando doutor?
_Amanda, olhe para isso, não é isso o que queremos, é? Uma guerra que pode acabar conosco na qual nem temos chances de sobreviver? É loucura se aventurar por esse caminho, chega a ser insensato, a maior loucura, porque sabemos qual será o resultado, mas, também não há como tentar deter isso. Vejam os arquivos, eles querem um mundo somente para eles, onde nós não temos vez, não temos voz, nem ao menos existimos. Então? Conversar sobre o que? Convence-los como? Que trato poderia ser feito? Entendem? Estamos em um beco, onde não há alternativas. Nem ao menos sabemos do que são capazes... – sua voz ficara falha naquele ultimo pedaço.
_Espere um pouco! Eu acho que sei como resolver tudo. - Pedro se levantou rapidamente, pegou o cartão eletrônico que era de Antonio, colocou no relógio e habilmente procurou por um arquivo. Ao abrir o arquivo Amanda olhou e começou a rir.
_Caro Pedrinho, para que procuras um arquivo desses? Neste só fala sobre a cura do câncer, não há nada que possa nos ajudar.
_Errada queria Amandinha!!! Preste atenção – Muito animado.- Não é só a cura do câncer, não sei se você se lembra, mas uma vez um pesquisador encontrou um material com nome de HCCT, ninguém sabia o porque desse nome estranho, no entanto ele combatia muitas coisas.
_Sim, isso é verdade, só que eram doenças comuns, as quais já tínhamos a cura, ou então eram coisas que tínhamos o tratamento certo, a mistura para chegar nessa matéria podia custar muito caro. Acho que hoje em dia nem tanto, mas na época do descobrimento era algo absurdo.- Amanda observava o amigo atentamente.
_Mas o que me dizem disso: a lista do que o HCCT combate é quase igual a lista de sintomas produzidos por nosso vírus.
_Você quer dizer que podemos ter a cura? Isso seria extraordinário! – Thiago começou a se animar.
_É, mas isso não é tudo, ainda temos que combater os “Drivers” e acho que isso não vai ser uma tarefa muito fácil. - Pedro olhou para o chão, o olhar estava longe, a cabeça também.
*
Os meses se passaram com uma pressa descomunal, Thiago estava cuidando de pacientes com a doença dos tele - transportes que agora era chamada de “Peste sem fim”, estava se alastrando como labaredas incansáveis com muito combustível pela frente, já havia cerca de mil mortos e o numero de doentes crescia a cada minuto.
Amanda e Matheus estavam produzindo a suposta cura, que estava sendo experimentada em pacientes com caso mais urgente, parecia dar certo, estava contendo os sintomas, estava dando resultados até mesmo melhores do que os previstos, mas eles sabiam, o tempo era pouco, o remédio difícil de produzir pela falta de materiais e pelo pouco tempo que restava.
Pedro estava em uma sala pouco iluminada, refletia sobre tudo. Os últimos meses tinham sido de trabalho árduo, um esforço descomunal da parte de varias pessoas que estavam ajudando a produzir a suposta cura para o vírus. Quando ele havia se lembrado do HCCT ele não sabia que ele poderia ser tão complicado de ser produzido e muito menos imaginara que poderia levar mais de dez dias para ser fabricado certa dose. Pelo menos essa dose seria suficiente para grande numero de pessoas.
As primeiras tentativas foram muito falhas, doses erradas, tempo errado, parecia que tudo conspirava contra, mas enfim estava começando a dar certo, ele só não sabia até quando.
“Drivers”. Que nome estranho. Que nome poderoso. Uma espécie desconhecia a certo tempo, agora ela apavorava a humanidade. Pelo menos a parte da humanidade que estava consciente de tudo. Pedro e os colegas havia investigado esse povo. Costumes estranhos, pelo menos não comuns na Terra. Que imaginaria? Quem poderia prever?
Rastros desse povo havia por toda a parte, participaram ativamente de nossa política, de decisões importantes, de congressos e palestras. Como destruir um povo assim? Como competir com algo grandioso? Como poder enfrentar um inimigo conhecido a pouco, sabendo um mínimo sendo que ele parecia tão majestoso, tão potente, e alem de tudo: o que eles não sabiam? O que eles não entendiam sobre nós? Que milagre seria suficiente para o pesadelo ter fim?
As perguntas turbilhavam na cabeça de Pedro,ele refletia, pensava e nada fazia sentido, nada parecia ter solução, anda brotava como idéia pratica.
O tempo passava, ele olhava os segundos passando, o tempo se esgotando, as pesquisas que eles haviam feito mostrava um prazo de dois dias para o fim, o fim da humanidade. E que fim trágico seria? Sem luta, sem batalha pela sobrevivência, somente a morte, talvez pacifica, talvez dolorosa.
O telefone toca. Pedro olha para ele, estava em um canto da mesa redonda que alio tinha, ele atende. A voz cansada de quem não tinha dormido, pensando que tudo podia ter sido em vão.
_Alô?
_Quer sobreviver?
_Quem é?- a voz agora era curiosa.
_Quer sobreviver?
_Quem fala?
_Somente responda: quer sobreviver?
A voz rouca do outro lado da linha não iria se cansar daquilo? Era um jogo?
_Sim.- ele respondeu com firmeza.
_Então destrua os “Drivers”.
_Como?
_A solução é a mais simples de todas.
_Qual é?
_A única coisa que vocês não sabem é que eles vivem através de energia, energia vinda de uma pedra, destrua a pedra.
_E que pedra é essa?
_A pedra que está na casa de Antônio, uma azul, guardada em uma pequena caixa preta, apenas quebre-a no meio, é o suficiente.
Pedro não sabe quem foi, apenas obedeceu e a única coisa que ele sabe é que o ataque não aconteceu e os “Drivers” que ele conhecia não existiam mais.
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